Alfred Hitchcock - Projeto

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Eu já tinha visto essa cena algumas vezes, mas como sempre não tinha dado a devida atenção. Depois desse dia parei pra pensar na quantidade de coisas que deixamos de ver, pessoas e acontecimentos pelo qual não participamos, afinal, estamos sempre nessa corrida insana do cotidiano que parece nunca ter fim. Não vou perder meu tempo escrevendo pelo fascínio que os cachorros exercem no ser humano, pois para isso já existe uma série de livros e filmes que fazem essa tarefa, diga-se de passagem, de forma deveras satisfatória. Vou apenas relatar uma cena que vi que sintetiza tudo o que sinto e deixo pra você a missão de tirar suas próprias conclusões. Estava correndo rapidamente, como faço todos os dias quando parei pra observar por alguns minutos, um casal de cachorros na rua. Ambos já aparentavam certa idade e caminhavam despreocupadamente pelas ruas da cidade. Ambos traziam marcas da idade em seus rostos, algumas cicatrizes, o peito que já muito saciou a fome e um pouco de cansaço no olhar. Eram cúmplices em seus passeio de tal forma que pareciam se conhecer de longa data. Como nós. E veio em seguida o momento que me chamou muito a atenção: a hora de pegar um sol no chão da rua. Após breve despedida a fêmea deitou em um monte de terra próximo de uma calçada e lá ficou, tranquila, pegando sol e descansando. Sua fisionomia era calma e serena. O sol batia no seu rosto e aquele animal inclinava a cabeça lentamente para trás, como se procurasse sentir uma leve brisa tocar seu rosto. Seus olhos estavam entre abertos e sua boca tinha um quase sorriso... era uma imagem que vou demorar a esquecer... eu só conseguia ver alegria, tranquildade e uma satisfação infinita. Por mais estranho que possa parecer, eu tenho quase certeza, que naquele momento, por um segundo que fosse, se eu conseguisse ler seus pensamentos ou me comunicar de alguma forma ela iria dizer para mim o quanto estava feliz apenas em estar viva.

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